Paralisação dos caminhoneiros desencadeia efeitos trágicos para o setor


A retração econômica dos últimos anos tem desafiado a capacidade de sobrevivência dos negócios de bares e restaurantes. O crescimento da carga tributária, o aumento no custo de insumos e burocracia cada vez maior aumentam a complexidade e reduzem ou anulam o lucro da atividade. Empreendedores são vítimas de um contexto cruel mas, ao mesmo tempo, são apontados como vilões da crise.

 

Tudo isso já seria o suficiente para estrangular o segmento, mas o que se viu durante a paralisação dos caminhoneiros, que durou 10 dias e foi encerrada em 30 de maio, foi praticamente um golpe de morte nos negócios.

 

Pesquisa realizada pela Abrasel com 66 estabelecimentos catarinenses revelou este quadro dramático. Na comparação entre o mês de maio e o mesmo período de 2017, 81,8% tiveram vendas menores e 53% informa que precisará reduzir o quadro de colaboradores. Nos casos extremos, durante o período da greve, diante do desabastecimento e imobilidade da população, alguns estabelecimentos chegaram a não receber nenhum cliente no dia.

 

Diante desses efeitos, mais da metade dos bares e restaurantes estão com dificuldades de bancar a folha de pagamento, fatalmente tendo de recorrer a financiamentos bancários a juros estratosféricos e, num segundo momento, declaram incapacidade de pagar os impostos. “Não resta alternativa ao governo a não ser postergar ou parcelar os impostos. Isso se quiser recebê-los”, afirma Raphael Dabdab, presidente da Abrasel em SC. Ainda assim, o cenário que se desenha é redução de postos de trabalho e fechamento de empresas.