Apesar da pouca mobilidade, gargalos na BR-101 e alguns problemas de infraestrutura – minimizados em relação ao mesmo período de 2014 – os proprietários de bares e restaurantes do litoral catarinense consideraram a temporada de verão boa para os negócios. Dos 100 estabelecimentos entrevistados pela entidade logo após o Carnaval, 75% deles acharam o movimento bom ou excelente, número bem superior ao registrado no ano passado (53%). Em relação à temporada anterior, a satisfação também aumentou – dos consultados, 55% acharam melhor ou muito melhor.

Para Fábio Queiroz, presidente da Abrasel em Santa Catarina, estes dados refletem um otimismo quanto ao restante do ano. “Uma época de muitos clientes nas mesas deixa os empresários confiantes, mesmo diante das intempéries da economia. Nesta pesquisa, 45% dos entrevistados em todo o litoral creem num bom 2015, também em função dos muitos feriadões previstos”, avalia, apontando também que 25% estão pessimistas. “As previsões do mercado financeiro contribuem muito para este sentimento”, diz Queiroz.

Os itens de infraestrutura voltaram a figurar entre os entraves para um período ainda mais rentável. Avaliando com notas de zero a 10, alguns aspectos ainda deixam a desejar, como segurança pública, mobilidade e trânsito, fiscalização de ambulantes e sinalização turística não alcançaram nem a nota seis no resultado geral. Em Florianópolis, a mobilidade urbana e a fiscalização dos ambulantes e clandestinos foram as mais criticadas, com notas 2,9 e 3,4, respectivamente, puxando para baixo o índice estadual.

Quanto à contratação de mão de obra, o número de colaboradores foi suficiente para a formação das equipes, com 74% dos entrevistados satisfeitos. Porém, a capacitação dos funcionários novamente decepcionou, com 54% dos consultados criticando seu desempenho. “Foi um resultado pior que no ano passado, quando 52% dos proprietários estavam satisfeitos. A Abrasel apoia muitos cursos de qualificação e incentiva os empresários a procurar por melhorias. Um dos problemas é o impedimento, dentro das leis brasileiras, de remunerar melhor aqueles mais qualificados para o mesmo serviço”, explica Queiroz.

Formação de preços - Mesmo com a pressão dos custos em função do aumento de combustíveis, energia elétrica, IPTU entre outros itens, 69% dos estabelecimentos pretendem manter seus preços nos próximos meses, entretanto 56% deles não planejam novos investimentos para o ano. “São dados antagônicos, que refletem o otimismo gerado por uma boa temporada, mas certa cautela quanto ao futuro da economia”, diz Queiroz.

Sul do estado- A expectativa de movimento para o restante do ano e a previsão de novos investimentos em 2015 tiveram um bom resultado no sul do estado (50%). Para Fábio Queiroz, estas boas perspectivas são devido à liberação do funcionamento da ponte de Laguna e o início das operações do aeroporto de Jaguaruna. “São equipamentos há muito aguardados que certamente vão incrementar o turismo da região”, afirma ele.