*Artigo de Fábio Queiroz, presidente da Abrasel em Santa Catarina.

 

Pesquisa veiculada recentemente trouxe outra vez à tona o debate sobre os preços praticados pelo setor de alimentação fora do lar, principalmente na capital catarinense, apontada como o maior tíquete médio do segmento no país. Contestamos as informações divulgadas – é certamente um exagero a média apontada pela consulta, de quase R$ 40 por refeição, quando ótimos restaurantes vendem a preços muito mais baixos – e garantimos que a cidade tem opções para todos os bolsos. É possível comer bem e barato em Florianópolis, conforme divulgado pelo portal Destemperados, do Grupo RBS, que indicou 18 ótimas alternativas por até R$ 25.

Existem opções que podem ser consideradas ‘fora da realidade’ do consumidor médio, muitas vezes levando em conta a localização, status e outros fatores, porém o setor como um todo é julgado por poucas horas de lotação durante um dia de 24 horas. Além disso, tal movimento jamais é registrado nos sete dias da semana, tampouco nas 52 semanas que integram o ano. Vale ressaltar que esses valores poderiam ser ainda mais baixos, caso a série de ônus que sobrecarregam as empresas fossem aliviadas. Os lucros dos bares e restaurantes vêm diminuindo a cada dia – altos impostos, reajustes nos aluguéis e o crescente custo da mão de obra são apenas exemplos da pesada carga percebida pelos empresários que mais empregam no Brasil.

 

Segundo Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Santa Catarina (Abrasel) em fevereiro, logo após o Carnaval, 69% dos estabelecimentos pretendem manter seus preços nos próximos meses, enquanto 56% deles não planejam novos investimentos para 2015. Reflexo de um empresariado cauteloso e temente às intempéries econômicas e, ao mesmo tempo, consciente de que reajustes também são péssimos para os negócios, já que os consumidores estão muito sensíveis a qualquer variação. Buscar esse equilíbrio é essencial para a sobrevivência dos bares e restaurantes, reflexo da lei de mercado, esta, sim, implacável.