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A chefe Bel Coelho reinventa seu negócio com serviço de entregas

SÃO PAULO – Depois que o áudio do médico Fábio Jatene circulou por grupos de Whatsapp alertando sobre o cenário catastrófico nos hospitais com o avanço do coronavírus, o telefone da chef Bel Coelho não parou de tocar: em dois dias, cinco eventos de sua empresa de catering foram cancelados.

Para não deixar na mão sua equipe de 11 funcionários, ela está se reinventando em um sistema de delivery.

A adoção de medidas de contenção para reduzir a propagação do vírus, como o fechamento de escolas, eventos e shoppings, já levou a uma queda de 50% a 70% do faturamento do setor de bares e restaurantes, segundo estimativa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Muitos estão fechando as portas – nem todos terão condição de reabrir quando a pandemia passar.

Bel Coelho renegociou valor de aluguel, redução de salários e taxas com aplicativos de entrega.

— Decidimos fazer um esquema de cooperativa. Vamos dividir entre nós o que sobrar depois de pagar os custos. Também garantimos uma ajuda de custo mínima para os mais vulneráveis e que não vão poder trabalhar — diz a chef.

O Canto da Bel em Casa começa a nova operação na segunda-feira e estará disponível com exclusividade no aplicativo Rappi. O pagamento se dará apenas pelo aplicativo, sem maquininhas para não ter contato. Entregadores receberão luvas e máscaras descartáveis a cada entrega e clientes serão orientados para que a entrega seja a mais breve e distante possível.

Fechamento temporário

No Rio, o restaurante Bazzar decidiu hibernar.

— Não venderemos nada por pouco tempo, mas é ainda melhor que vender pouquíssimo por muito tempo, colocando em risco o maior ativo do nosso negócio: funcionários e clientes — declarou Cristiana Beltrão, proprietária do Bazzar, ao anunciar nas redes o fechamento do restaurante.

A empresária negocia redução de salários e aluguéis e antecipação de férias.

Em um setor formado por pequenos negócios, de margens baixas e intensivo em pessoal, nem todos conseguem se reinventar. A Abrasel teme demissões generalizadas e a falências em série.

— Estamos em um ambiente de colapso. Dificilmente o desemprego em massa será evitado se o governo não garantir pelo menos um salário mínimo por funcionário em dois ou três meses de crise — diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.

Considerando três milhões de trabalhadores, em três meses a conta vai a R$ 9 bilhões.

O setor de alimentação garante ainda o ganha-pão de mais de três milhões de profissionais autônomos, muitos informais, e que também demandam medidas de transferência de renda.

O pacote anunciado nesta quinta-feira, de garantia de complementação salaria — via seguro-desemprego — para aqueles que tiverem jornada de trabalho reduzida ou licença não remunerada, foram consideradas insuficientes pelo setor.

— Lamento que o governo não tenha entendido a gravidade do momento. O setor não terá como pagar salário e vai acabar todo mundo, de maneira desorganizada, acionando o seguro desemprego — diz Solmucci.

Delivery não salva setor

A saída do delivery pode funcionar para alguns estabelecimentos, mas não salva o setor, avalia o presidente da Abrasel.

— O delivery é muito pequeno e uma renda incremental. Os pequenos não conseguem manter a oferta do delivery sem o salão aberto. Com a quebradeira, não vai ter oferta para o delivery vender — diz Solmucci.

Enquanto uma ajuda maior não vem, o iFood anunciou ontem um fundo de R$ 50 milhões para pequenos restaurantes cadastrados na plataforma. Outros R$ 600 milhões serão injetados no setor a título de antecipação de recebimentos. O restaurante poderá receber o pagamento em sete dias após a venda, sem custo adicional.

O aplicativo também vai repassar – para aqueles que conseguirem se manter abertos – a taxa de serviço arrecadada na modalidade ‘Pra retirar’, na qual o cliente retira o pedido diretamente no restaurante. Atualmente o serviço está em 120 mil restaurantes cadastrados, em mil cidades.

Fonte: OGlobo

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