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Bares e restaurantes buscam alternativas para lidar com a pandemia. Entidade aponta impacto em 80 mil trabalhadores, entre contratos suspensos e demitidos

Uma projeção apresentada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Santa Catarina (Abrasel-SC), aponta que cerca de 50 mil trabalhadores do setor terão os contratos suspensos e cerca de 30 mil serão demitidos durante o período da pandemia de coronavírus. O impacto no setor – que representa 5% do PIB do Estado – foi avassalador, em um cenário em que 31,6% dos estabelecimentos já apresentavam dificuldades financeiras anterior a necessidade de isolamento social, conforme dados divulgados pela entidade. – A gente aguarda por linhas de financiamento do governo federal que ainda não chegaram. Esse atraso preocupa bastante porque as linhas que foram disponibilizadas até agora ou foram inacessíveis, ou o valor era muito abaixo da necessidade. Então, a grande maioria das empresas não conseguiu acessar este valor e frente a essa necessidade vêm lutando para sobreviver – aponta o Raphael Dabdab, presidente da Abrasel-SC. Neste cenário, empresários de bares e restaurantes precisam se reinventar para não fechar as portas e a adaptação é feita conforme os decretos têm sido revisados e alterados e também de acordo com a resposta do consumidor.

Em Florianópolis, um bar mudou a operação algumas vezes desde o início do isolamento social. O proprietário Thiago Steinhaus conta que mesmo adaptando as novas exigências viu o faturamento cair 80%. – Em um primeiro momento de abertura tivemos que trabalhar “da porta”. Não éramos habituados a esse tipo de rotina e era algo incomum também aos nossos clientes. As primeiras semanas nesse sistema foram complicadas, as pessoas tinham muito receio de sair de casa. A segunda onda foi a partir da portaria de reabertura dos estabelecimentos, seguindo algumas normas para poder funcionar, como a obrigatoriedade da máscara e do álcool em gel, o distanciamento entre mesas e número reduzido de pessoas dentro do estabelecimento – pondera o empresário. O serviço de delivery tem funcionado para diversas empresas. A adaptação traz comodidade ao consumidor e garante as vendas de quem estava acostumado a trabalhar com atendimento direto ao público. Steinhaus conta que a venda de chope em garrafa pet teve resultado positivo e deve ser mantida após o fim da pandemia. Em Joinville, Sendy e Ruan Lindner, proprietários de um estabelecimento que costumava receber clientes em um ambiente de descontração com música ao vivo, adaptou o cardápio para o atendimento por delivery. Além de apostarem na divulgação pelas redes sociais, investiram também no cadastro em plataformas de pedido on-line.Mesmo com todo o esforço, toda a equipe de atendimento foi dispensada. Seguem um cozinheiro e uma funcionária da limpeza. – Estamos tentando nos manter enquanto for possível. Renegociamos boa parte com fornecedores, algumas contas e financiamentos estão sem pagamento – revelam os proprietários, que decidiram manter o espaço somente com entregas. – Optamos por não abrir e continuar somente com as entregas.Não achamos seguro, por se tratar de umlocal onde as pessoas não conseguem respeitar o uso de máscaras, justamente por virem comer e beber.

Novo comportamento do consumidor exige mudanças

Os empresários Sendy e Ruan Lindner acreditam que o comportamento do consumidor irá mudar após o controle do coronavírus. – Acreditamos que tudo vai ser diferente, tanto o comportamento do público como o mercado em geral. Boa parte pela mudança de atitude esperada e necessária e outra pela crise financeira que vai afetar muita gente. A pesquisa da Abrasel dosimpactos econômicos e sociais da Covid-19 no setor revela que menos de 20% dos estabelecimentos terão condições financeiras próprias para retomar as atividades. Isso reflete-se na opinião dos empresários. – Minha visão não é muito otimista. Olhando pra frente vejo que o ano de 2020 está praticamente perdido. Estamos em maio e o inverno é a estação onde naturalmente nossas vendas caem bastante, portanto visando uma recuperação lá para outubro, fica complicado salvar o ano – comenta Thiago Steinhaus.

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